Ensaio sobre a cegueira
29/09/2008
Se poder olhar, vê. Se podes ver, repara.
Bom, finalmente, nesse final de semana fui ver o filme, Ensaio sobre a cegueira, que é uma adaptação cinematográfica do livro de José Saramargo, ganhador do Nobel a consideração mundial em 1995.
O que ouvi de muitos é que o filme deixa de citar muitas partes do livro, mas ao meu ver Fernando Meirelles, diretor do filme, faz um mix de partes para não alongar o filme. O filme nos ajuda a ter uma visão mais ampla dos acontecimentos dentro do manicómio desativado, onde ocorre boa parte e principal da trama.
As cenas de desordem, calamidade ocorrida dentro do manicómio é assustadora. José Saramargo se negou várias vezes vender os direitos do Livro para Meirelles, dizendo ele que “o cinema destrói a imaginação”. Talvez José Saramargo falava isso temendo que seu romance seria transformado em um “trash” por um diretor americano, que com certeza faria dos cegos do filme, zumbis, o que na verdade não, pois não são mortos vivos.
Mas Meirelles tem uma característica de retratar aquilo que realmente é, e não maquiar as coisas como o cinema norte-americano costuma fazer. É claro que o filme não é “estupendo”, “magnífico” ou outras características mais. Ele é direto, inteligente.
Ler o livro, seria talvez, importante para assistir o filme, se não se acaba perdendo na história. Ouvi muitos comentários de pessoas perguntado porque a mulher do médico não ficou cega, porque eles se isolaram na casa depois de conseguirem sair do manicómio, entre outras perguntas que ocorrem durante o filme.
Mesmo sendo uma história caótica, o filme em algumas partes tem seu humor, o que é muito difícil talvez de identificar no livro.
Bom, essa é minha opinião e indicação do filme. Sem esquecer também que identifiquei em duas cenas, dois Macs (sic), um iMac G5 e um MacBook Pro.
Vão, assistem, se não leu o livro, assista mesmo assim, terás uma visão diferente sobre a sociedade em que vivemos.